O Amor Decifrado
Algumas conversas sempre me surpreendem, e invariavelmente elas giram em torno do amor e do que significa amar. Todos amam, todos precisam amar. O dilema é: o problema é a falta de amor ou é amar demais? É dar sem esperar nada em troca ou é dar e nunca receber? Amar é sofrer ou amar é viver? É deixar ir ou querer perto?
Este é o primeiro artigo de uma série que busca aprofundar a complexa questão sobre “O que é o Amor?”. Nesta reflexão inaugural, focaremos nas perspectivas mais internas e orgânicas, buscando entender como a biologia e a neurociência abordam essa emoção universal.
Cada pessoa vivencia o amor à sua maneira, mas a base de todas as experiências reside nas reações químicas e biológicas que nos impulsionam à conexão. Minha reflexão, por sua vez, parte de um lugar muito específico: o de homem branco cis hétero.
Emoção ou Sentimento?
Começamos pela parte mais simples, com uma pergunta muito difícil. O amor é emoção, afinal, é uma resposta orgânica imediata do nosso corpo. Mas o amor também é sentimento, pois envolve uma interpretação subjetiva das nossas experiências, diferenciando o amor em cada situação.
Nosso cérebro, nosso corpo, é uma máquina não exata, sendo improvável, para não dizer impossível, sentir uma única emoção de forma isolada e pura. São muitos hormônios e neurotransmissores agindo de forma constante e simultânea, com inúmeros estímulos recebidos e processados ao mesmo tempo para darmos uma resposta.
Nossas emoções se sobrepõem de maneira complexa, e nossas respostas dependem da nossa capacidade de interpretação e da nossa linguagem.
Nossa formação como pessoa é composta por muitas influências – familiares, sociais, culturais, ambientais e ideológicas – e isso faz parte do ser humano. Entretanto, quando tentamos responder à pergunta sobre o que é o amor, comumente pegamos todas essas influências, colocamos em um liquidificador e confundimos amor com muitas outras coisas.
Nossas respostas sobre o amor normalmente carregam outras emoções presentes, como o medo de perder o controle ou o medo de perder a outra pessoa. Levamos em conta também nossos desejos para o outro, com o melhor das “nossas” intenções, muitas vezes sem perguntar o que a outra pessoa realmente deseja. A resposta sobre o que é o amor está sempre contaminada com outras emoções, sentimentos e pensamentos.
O Amor na Biologia
Biologicamente, o amor é um fenômeno neurobiológico complexo composto por múltiplas reações químicas cerebrais estimuladas pelos nossos sentidos e ideais. É um processo vital para nossa sobrevivência, pois permite que nos vinculemos aos nossos semelhantes para promover a procriação e a vida em grupo.
Se o amor tem a ver com procriação, tem a ver com sexo. Neste sentido, a biologia analisou o comportamento do cérebro frente ao amor/sexo e concluiu que as reações cerebrais são localizadas nas áreas correspondentes ao prazer e possuem muitas similaridades às de pessoas dependentes de substâncias.
Entretanto, a biologia é uma ciência dos homens, feita por homens no sentido literal da palavra, e carrega em si toda uma visão machista e masculinista da vida, com definições estritas de gênero e de papéis sociais. Sendo algo biológico e influenciado por hormônios, o amor puro não seria possível em relações de amizade ou entre homem e mulher, pois sempre um dos dois poderia se sentir atraído pelo outro. Já podemos perceber que esta visão é contrária a relações homoafetivas, embora tais relações sejam tão antigas quanto a própria História.
Conclusão: A Realidade Química deste Afeto
O que a ciência nos mostra é que o amor é algo complexo que começa no corpo, na química, mas é moldado pela mente. Ele é, simultaneamente, uma resposta orgânica e uma interpretação subjetiva. Controles, obrigações e receitas são contaminações do amor que nasce como impulso vital e químico.
Amar é, antes de tudo, se conhecer e entender as próprias limitações. É saber que agimos em confusão de sentimentos. Em minha visão, o amor é conexão. Ele é absoluto e independente, mas sua manifestação inicial está profundamente enraizada em nossa biologia e nas necessidades de sobrevivência da nossa espécie.
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Artigo escrito por Mauricio Corsetti.
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