A Geometria da Afetividade: Amor Segundo a Mente e a Razão
Na conclusão desta série de artigos, após explorarmos a biologia (parte 1) e as construções socioculturais (parte 2) do amor, dedicaremos este texto à análise profunda da mente humana. Investigaremos como a Psicologia, a Psicanálise e a Filosofia tentam dar sentido a esse sentimento complexo.
A Psicologização do Amor
Sendo uma das emoções mais básicas do ser humano, é óbvio que a psicologia e a psicanálise se ocupariam em estudar o amor.
- Freud (Psicanálise)
- Vincula o amor a uma certa objetificação, pois envolve as pulsões individuais a um objeto idealizado.
- É uma busca constante para satisfação de desejos inconscientes originados na história de vida, normalmente na infância.
- O amor é uma falta originária que coloca o outro como fonte de poder. Freud ainda vincula o amor ao ódio, em uma tensão inseparável de opostos.
- Lacan (Psicanálise)
- Afirma que amar é dar o que não se tem, com forte base narcísica na qual a pessoa vê a si mesma no outro.
- Amar é estar em constante confronto com a própria falta, sendo um laço importante entre o real e o simbólico das relações.
- Jung (Psicologia Analítica)
- Diverge de Freud, vendo o amor como uma força de transformação que abre caminho para o autoconhecimento.
- Amar é uma forma de cura e recomeço para viver a vida em plenitude.
- Afirma que só podemos nos desenvolver plenamente ao desenvolver nossa individualidade e nossa capacidade de nos relacionar, sacrificando a ilusão das nossas possibilidades (a fantasia de futuro).
- Skinner (Comportamentalismo)
- É mais útil analisar os atos de amar do que o sentimento de amor em si.
- O amor é um fenômeno relacional no qual amar significa amar comportamentos de reforço mútuo. Depende de contexto, expectativas e reforços, seja na relação conjugal, familiar ou de amizade.
O Amor para as Crianças (Visão Pedagógica)
Nós, adultos, tendemos a idealizar o amor das crianças. Muitas vezes, o que chamamos de “muito amor” é na verdade muita insegurança.
O amor nas crianças, de acordo com Maria Montessori, pedagoga e educadora infantil, se manifesta como uma vontade de viver, observar, descobrir e obedecer. É um olhar diferente sobre o mundo, repleto de interesse e conexão com a natureza e com outras pessoas. É também uma sensibilidade pura para com seus próprios sentimentos, a ponto de se desconectar daqueles que ignoram suas necessidades.
O Amor para Spinoza (Filosofia Racionalista)
Creio que a melhor resposta sobre o amor vem de um filósofo judeu que viveu em 1600. Spinoza criou o conceito de Deus como natureza.
O amor, para Spinoza, é uma alegria acompanhada da ideia de uma causa externa, acompanhada do aumento de força de vida (potência) da pessoa. O amor não traz tristeza ou a diminuição da potência.
Muitos dos sentimentos que nos confundem ao responder sobre o amor são chamados de paixão, que seriam ilusões (idealizações) sobre a outra pessoa. A paixão pode levar a um apego irracional e gerar tristeza, ciúme e ódio, acabando com o amor.
Amor não é completude e sim expansão dos próprios limites e capacidades.
Conclusão: A Ética da Expansão
Do apego da infância à falta psicanalítica, e da troca comportamental à alegria filosófica, o amor se revela como um conceito multifacetado que a mente humana tenta, incessantemente, decifrar.
Para mim, a resposta mais atraente é dada por Spinoza: amor não é carência, mas potência. Controles, obrigações e formatações são contaminações da paixão, não do amor. O que é o amor? É a conexão que nos faz mais fortes, mais plenos e mais expandidos, exigindo, antes de tudo, o autoconhecimento. Valorizar e entender o amor é trilhar o caminho da autonomia afetiva.
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Artigo escrito por Mauricio Corsetti.
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