Saúde mental, Sociedade, Terapia para homens, Terapia para mulheres

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Quando foi a última vez que você brincou de verdade?

Daquelas brincadeiras que deixam você sem fôlego, rolando de rir no chão ou completamente imerso no momento? Quando foi a última vez que existiu como um ser brincante?

Começar com uma pergunta pode parecer falta de educação, mas é um convite à reflexão – especialmente em um tempo em que as pessoas, em geral, não podem, não querem ou simplesmente esqueceram como brincar.

O ato de brincar é comumente associado à infância. Para muitos, remete às próprias memórias de criança ou às brincadeiras dos filhos. Algo que ficou no passado ou que não nos pertence mais. Brincávamos quando era “nossa vez”; hoje, brincamos apenas quando convocados por uma criança. Afinal, a vida adulta é séria, tão séria, que viver para pagar boletos é “brincadeira” do mundo com a gente

Adultos tendem a impor regras até no lazer, como se o controle fosse essencial. Mas brincar é justamente o oposto: é sobre liberdade, espontaneidade e perder-se no momento.

Por que esquecemos de brincar?

Desde cedo, meninos e meninas aprendem que brincar tem hora e limite. A vida é dura, e muitos não têm esse privilégio: algumas crianças precisam trabalhar cedo, outras vivem em ambientes inseguros, enquanto outras são sobrecarregadas com mil atividades para “se preparar para o futuro”. E, nos dias de hoje, há ainda o desafio do registro digital — afinal, qualquer brincadeira pode virar conteúdo eterno na internet.

Na minha infância, tive a sorte de brincar muito: jogava bola, soltava pipa (mesmo sem gostar), me ralava na rua e me cortava em campinhos de pedras pontudas. Presentes como bolas de futebol ou uma bicicleta do meu tamanho eram motivos de pura alegria. Certa vez, ganhei um carrinho de controle remoto que desejava muito, mas, para minha surpresa, brinquei pouquíssimas vezes com ele antes de doá-lo. Não há produção imanente no controle.

Percebi que brincar com um carrinho de controle remoto não era tão divertido quanto parecia. Não havia sonho, nem construção – apenas um movimento vazio, sem propósito. Boas brincadeiras exigem entrega total, um mergulho no momento, e só terminam quando alguém (geralmente um adulto) diz que acabou. Mas, no dia seguinte, havia sempre a expectativa de recomeçar… até que, um dia, os “amanhãs” simplesmente desapareceram.

O mundo adulto e a morte da brincadeira

Hoje, vivemos dias repetitivos: metas na escola e no trabalho, rotinas desgastantes, atividades protocolares. Não culpo apenas as redes sociais – a vida moderna nos transformou em máquinas de produtividade. Rotina é o oposto do brincar: enquanto uma engessa, o outro liberta. Trabalhos repetitivos e falta de ludicidade esvaziam o sentido da vida, levando a depressão, ansiedade e até violência.

Brincar deveria ser levado a sério, pois é essencial para a saúde mental em todas as idades. O ego e o controle caminham juntos nessa ausência de brincadeira. Quem busca controle deseja previsibilidade, mas a vida é imprevisível — só o mundo é controlado (por políticos, exércitos, escolas, chefes, religiões e famílias).

Brincar não é só coisa de criança

Pesquisas comprovam: brincar na infância está diretamente ligado a uma vida adulta mais saudável. E não para por aí – o lúdico é fundamental também para a saúde física e mental de adultos e idosos!

Outras pesquisas também afirmam que o ato de brincar constantemente na infância promove o desenvolvimento de muitas competências que serão usadas pelo futuro adulto e são demandadas pelo mercado profissional, algumas das quais podem ser vistas neste post.

A pergunta inicial deste texto não era retórica. É um chamado para resgatarmos o brincar, seja na infância, seja na vida adulta – com as devidas adaptações, afinal, em um mundo onde muitos lutam apenas para sobreviver, como podemos abrir espaço para o ócio? Temos que entender que a negação do ócio é o que chamamos de negócios, aquilo que os adultos fazem. Assim, como inserir mais risadas e leveza no cotidiano, deixando de ser robôs para nos tornarmos mais expressivos e sensíveis?

Vamos conversar sobre como trazer mais brincadeiras e risadas para a sua vida?

Artigo escrito por Mauricio Corsetti.

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Maurício Corsetti - Terapeuta e analista - Logo animado

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