Amor é uma palavra utilizada com muitos fins, com diferentes significados e diversas compreensões. Já falei sobre isso em uma série de artigos, iniciando por este aqui.
Entretanto, por mais que falemos sobre amor o tempo todo, quando nos referimos ao amor masculino, parece que nos deparamos com uma muralha intransponível. Por que é tão difícil falar de amor com um homem? E por que é tão difícil amar e ser amado, como os homens que somos e que eu represento?
Biologicamente, com relação às emoções, homens e mulheres são iguais; somos programados com o mesmo conjunto de emoções que vão adquirindo definições de sentimentos de acordo com a educação recebida no grupo de nascimento. Povos diferentes experienciam formas diferentes de sentimentos, mas não de emoções. Todos nós experienciamos o medo, a alegria, a tristeza, o nojo e por aí vai, basta assistir a “Divertida Mente”.
E aqui começam as respostas: há uma diferença em como a cultura e a educação formam os homens em nossa sociedade. Enquanto mulheres são educadas para reconhecer emoções, valorizar a beleza, a arte, a sensibilidade e a poesia (com diferenças óbvias de acordo com a classe social), os homens são valorizados pelo uso da força e da razão ao invés da emoção, e são penalizados quando demonstram seus sentimentos.
“Homens não choram”, “homens são fortes”, “homens resolvem seus problemas sozinhos.” Que homem nunca ouviu isso alguma vez na vida? Muitos homens, porém, ouviram isso muitas e muitas vezes.
O amor é uma das emoções com as quais não aprendemos a lidar, assim como o medo, a frustração e até mesmo a alegria. Tudo para nós é desmedido. É intenso!
Quando passa da nossa barreira, torna-se incontrolável. As emoções tendem a se comportar como um rio em um dia de chuva: se não houver vazão, a água vai subir e tomar o que estiver em volta.
Parte da nossa criação e educação é nos fazer acreditar na ideia de alguém especial, a princesa do castelo, a tampa da nossa panela, aquela pessoa que nos conhecerá melhor do que nós mesmos. Essa é a grande mentira que alimenta o sofrimento dos homens na questão do amor. A partir disso, posso responder a algumas das perguntas que sempre me fazem:
Por que nos sentimos tão vulneráveis quando amamos?
Parte da nossa vulnerabilidade quando amamos vem do fato de que a pessoa ao nosso lado é quem nos possibilita uma válvula de escape, permitindo-nos entrar em contato com as emoções e vivenciá-las em uma sociedade restritiva. Veja que, se dependemos de alguém para nos ajudar a lidar com as emoções, tornamo-nos dependentes e vulneráveis. Não precisa ser assim.
Por que o ciúme é insuportável?
O ciúme está baseado no medo da perda desse alguém especial. Ciúme é possessividade sobre a outra pessoa; ela é “nossa”. Consideramos que a pessoa que está do nosso lado é a única que nos entenderá melhor do que nós mesmos e, por isso, evitamos o risco de perder esse amor, fazendo qualquer coisa para impedir que aconteça. A palavra mais adequada para isso é idiotice. Por não sabermos lidar com nossas emoções — o medo, neste caso — agimos feito idiotas.
Como manter um relacionamento saudável?
A primeira coisa a fazer para manter uma relação saudável é não responsabilizar a outra pessoa pelas nossas emoções. É entender que, se não sabemos o que sentimos, a outra pessoa não vai saber só de olhar para nós. Isso pode até acontecer, mas é baseado muito mais na sorte do que na competência especial dessa pessoa. Manter um relacionamento saudável é entender que do outro lado há uma pessoa que foi programada socialmente de forma diferente da sua. Reconhecer a si mesmo e as diferenças é fundamental.
Como reconhecer nosso amor, sofrimento e suas consequências?
Amar não é uma escolha; amamos quem amamos e pronto. Essa conexão especial com a pessoa amada é algo que merece ser vivido por todas as pessoas, mas não é eterno. Não temos o direito de impor que a relação dure para sempre ou mesmo de cobrar o amor do outro. Algumas conexões acabam, simplesmente. Precisamos reconhecer isso, pois, ao amar, temos que estar preparados para o fim. Isso não é ser pessimista, é não viver exclusivamente para o outro; é não esquecer das nossas próprias responsabilidades para conosco.
Como terminar uma relação?
O fim de qualquer relação chega acompanhado de um misto de emoções. É fácil quando somos nós a terminar: somos programados para seguir em frente, para sermos imparáveis, e até reconhecemos que a outra pessoa está triste, magoada e com dor. Mas, se somos nós que recebemos a notícia do término, ficamos desesperados, mesmo que não demonstremos. Somos construídos para ocultar as emoções e esta é a hora em que fazemos isso. Quando demonstramos, isso vem acompanhado de raiva, tristeza, dor, orgulho ferido e, muitas vezes, de um sentimento de vingança. É o rio bloqueado que encheu e transbordou. Para encerrar uma relação, é preciso reconhecer que as duas pessoas possuem desejos e vidas distintas, não importa quanto tempo tenha sido compartilhado. É necessário trabalhar as emoções e demonstrar respeito às escolhas.
Como cuidar das feridas?
Ao longo do tempo, vamos acumulando feridas emocionais que, se não tratadas, viram cicatrizes. São cicatrizes em cima de cicatrizes que nos forçam ao fechamento e a um maior controle para não nos machucarmos; normalmente, fazemos o oposto do que devemos. Cuidar das feridas não é encontrar um novo amor; é cuidar da gente, é refletir sobre onde nos machucamos, como nos machucamos e o que fizemos de certo e de errado. É dar tempo para o corpo e para a mente.
Falar sobre isso é fácil, mas vivenciar emoções não é tanto. Quando estamos no calor do momento, nós, homens, tendemos a agir impulsivamente e a esquecer o que aprendemos.
A terapia pode ser um caminho para dividir sentimentos e buscar o autoconhecimento. Terapia não é coisa de doente mental; ela serve para aliviar a pressão da água e fazer com que não estouremos.
Já pensou nisso?
Artigo escrito por Mauricio Corsetti.
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